Prevenção de Perdas: Como lidar com furtos internos

por Luiz F. Sambugaro 11-10-2017 12:00
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Em 2015, publicamos uma série de artigos baseados na lista "10 coisas que você precisa saber sobre Prevenção de Perda". Falamos sobre Cargos e responsabilidades e, neste artigo que você lê agora, falamos sobre outra questão muito importante para os varejistas e que se tornou um problema que cresce vertiginosamente dentro do mercado do varejo: os furtos internos.

Os dados sobre este tipo específico de furto têm mostrado um crescimento cada vez maior desta prática. São muitas as questões que podem acarretar essas perdas. Precisamos abordá-las de maneira séria e eficiente para encontrar uma solução. O problema existe e precisa ser encarado de frente e já há soluções e recursos para resolver este ponto crítico do varejo. Vamos entender melhor:

Furtos internos são tão intensos quanto os externos

O que observamos, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, é o crescimento constante desta prática, principalmente entre nós, brasileiros. Este avanço acontece primeiramente devido às crises econômicas que geram demissões, redução de nível hierárquico, terceirização de mão-de-obra e a troca de funcionários treinados e leais por novos de menor custo e sem nenhum compromisso com a empresa.

E ainda há outros fatores acarretados pela crise, como o corte de benefícios, redução nas despesas de manutenção, entre outras coisas. Fatores externos como a perda da confiabilidade no judiciário e a desonestidade endêmica em todos os níveis da sociedade aumentam a sensação de impunidade, que junto com as oportunidades, só faz crescer estes índices.

Como afirma o especialista Terrence Daryl Schulman: “Vivemos em uma sociedade materialista, onde o dinheiro, a aparência e a propriedade determinam nosso valor”. Esses fatores fazem com que as empresas varejistas reduzam a área de Prevenção de Perdas ou adiem sua implantação.

Muitas vezes pessoas de nível e características inadequadas são escaladas para a função do profissional de Prevenção de Perdas, além dos dirigentes dedicarem pouco de seu tempo a este assunto.

Chegamos então a uma conclusão bastante simples: Quanto maior a chance de furto interno, menor o trabalho preventivo, com os consequentes aumentos de seus índices. Sem estratégias para coibir estes delitos, obviamente eles aumentarão.

Seguindo essa mesma linha, relatos feitos por ex-furtantes mostram que a falta de manutenção é um fator que favorece e muito. Por exemplo: Uma câmera ou uma antena na porta, se não funcionam, seja por falta de manutenção ou por pequenos problemas nos ajustes, continuam a ser parcialmente efetivas como fator de intimidação para o furto externo, mas não para o furto interno ou conivência entre funcionário e amigos. Nesse caso, tanto funcionários quanto amigos sabem que os aparelhos não estão funcionando adequadamente e esta é uma excelente desculpa para furtar. Uma outra solução para evitar perdas causadas por funcionários é investir em ferramentas que realizem auditorias de fraudes no PDV, como o Gatecash.

 

Para encarar a questão do furto interno e trabalhar este problema com a mesma seriedade que os externos, são necessárias algumas atitudes e mudanças de pensamento para entender melhor como esta lógica funciona.

Dicas para prevenir furto interno:

Pensar como os furtantes: Tanto os executivos da empresa como os executores de normas e procedimentos antifurtos devem buscar pensar como o furtante que age ou poderia agir na sua empresa. Ao entender melhor as estratégias de quem causa o furto fica mais fácil perceber que pontos são mais vulneráveis e as soluções preventivas serão cada vez mais eficientes.

Tipo de gestão: Se um funcionário de qualquer nível for chamado pela própria empresa a praticar delitos em seu nome, é bem possível que ele e seus companheiros de trabalho pratiquem o furto interno com menos remorso. Basta pensar em um famoso e antigo ditado popular que diz: “ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão”. Uma empresa que não age honestamente com seus clientes poderá criar uma cultura de furto interno. Para explicar melhor: a empresa faz uma redução da embalagem de um produto, mas não faz a correspondente redução do preço. Outros exemplos: o cliente compra um produto e recebe um similar, mas com custo menor; sonegação de impostos; pagamentos fora da folha aos próprios funcionários. Não queremos com isso afirmar o que é certo ou errado. O importante aqui é pensar o que seu funcionário pensaria destas atitudes e qual seria sua interpretação. Isso poderá levá-lo a agir da mesma forma com seu empregador. É um ponto crítico que merece atenção.

Mão-de-obra desconhecida: De acordo com cada função, essencialmente as ligadas à Prevenção de Perdas, deve-se avaliar o candidato ao cargo não apenas considerando sua performance profissional, mas também seu histórico anterior relacionado à ética moral e comportamental. Para ter funcionários bem dispostos e fiéis à empresa se faz necessária uma política salarial justa, treinamentos adequados e, principalmente, um tratamento que não exponha o funcionário a situações constrangedoras perante seus colegas, superiores ou subordinados, e clientes.

 

Para se ter controle sobre o furto, é necessário que várias atitudes caminhem juntas, de mãos dadas com a prevenção. Como vimos, existem pontos cruciais dentro de uma empresa que devem ser trabalhados ativamente para mudar a rotina tanto do empresário quanto de seus funcionários. Manter uma equipe unida, com normas e procedimentos claramente definidos, selecionar e treinar adequadamente seu pessoal são algumas das formas de prevenir os furtos internos e ter um ambiente varejista mais seguro e bem estabelecido.

E lembre-se sempre: os furtos são como doenças. Ao se prevenir, você diminui e reduz os índices de perdas. Pratique sempre e valorize a prevenção.

* Artigo publicado em 21-10-2015, atualizado em 11-10-2017.

 

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Topics: Perdas no Varejo, Equipe e Treinamento, Furtos internos