Quais os passos para uma gestão de estoques competitiva no varejo

por Anderson Ozawa 26-10-2015 8:00
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Quando falamos sobre gestão de estoque, surgem diversos questionamentos importantes a serem trabalhamos. Perguntas como “O quanto comprar?” “Como não ter estoque separado?” ou “Gestão de demanda é diferente de gestão de estoque?” são cruciais para entender como essa gestão pode ter um papel fundamental para o sucesso de uma empresa. Em tempos de oferta de crédito para a população, margens de lucro apertadas e forte competição, fazer a gestão do principal ativo financeiro da empresa é uma vantagem competitiva.

É importante entendermos por que temos estoque nas empresas de varejo e qual sua real necessidade. Esta área surge porque é impossível coordenar suprimento e demanda, com todas as incertezas do mercado, e especular situações de escassez ou oportunidade para preencher os canais de distribuição e aumentos de demanda. Na visão moderna de gestão de estoque, existe, além do objetivo de custo que atende à demanda de mercado e aos acionistas, o objetivo de nível de serviço, que visa atender às necessidades do cliente, e o objetivo de retorno de capital, que procura reduzir o volume financeiro empenhado em estoque e, ao mesmo tempo, maximizar a relação lucro versus estoque médio.

No Brasil, o giro de estoque é em torno de 14 vezes ao ano ou um a cada 26 dias. Quando falamos em EUA, Europa e Ásia, o giro é de 80 vezes ou um a cada 5 dias. Já no Japão, ele acontece 160 vezes ao ano ou um a cada 2 dias. Quando calculamos o capital investido, que fica parado nos estoques, sentimos o quanto isso pode impacta no varejo.

Uma das formas de melhorar o giro de estoque é conhecer e controlar bem sua demanda. A demanda é o ato da procura pelo melhor produto ou bem, que satisfaça completamente o cliente. Trabalhando os tipos de demanda – permanente, sazonal, irregular, em declínio ou derivadas – a empresa de varejo consegue estabelecer qual nível de estoque deve ter para atender um nível de serviço ideal, otimizando seu retorno de capital e, consequentemente, melhorando seus custos.

Uma exemplo conhecido de demanda permanente em moda são os jeans, por exemplo. É um produto considerado “eterno”, ou seja, vende igualmente ao longo de todo o ano. Já as demandas sazonais são os produtos de comemoração ou datas festivas, como Dia das Mães ou Natal. As demandas irregulares são baseadas em produtos de ofertas de vários modelos e que oscilam com base nestas ofertas. Outro tipo conhecido que é diretamente afetado pelas tendências do mercado, são as demandas em declínio, que são os produtos da moda que em um dia acabam e logo são substituídos por um novo modelo que entra em seu lugar. Por fim, as demandas derivadas são ocasionadas em consequência do produto principal vendido como, por exemplo, uma camisa que é vendida em conjunto com uma calça – top e bottom.

Uma vez estabelecida qual a demanda dos produtos, é imprescindível segmentá-los para uma melhor gestão do estoque. O tipo mais utilizado de classificação é a ABC, que se baseia nos valores consumidos, que tem como ponto de vista o acionista. Para obter essa classificação, a empresa deve ordenar o total do consumo por ordem decrescente de valor, obter o total do consumo acumulado e por fim, determinar as porcentagens com relação ao valor total do consumo acumulado. Na maioria das vezes, a empresa vai encontrar 80% do valor movimentado concentrado em cerca de 20 ou mais itens do seu estoque, que é a chamada curva A, ou seja, os itens que merecem atenção especial, que melhor atendem à demanda e cumprem o nível de serviço. Os demais produtos serão classificados na curva B, com cerca de 15% do valor movimentado, e na curva C, que configura os 5% restantes.

Para finalizar o artigo, destaco algumas funções associadas à gestão de estoque que toda a empresa deveria conhecer e seguir para obter melhores resultados:

- Determinar “o que” deve permanecer em estoque. Estipular o número de itens;

- Determinar “quando” os estoques devem ser reabastecidos. Programar a periodicidade;

- Determinar “a quantidade” necessária para um período determinado do estoque;

- Acionar o departamento de compras para executar a aquisição ideal de estoque;

- Receber, armazenar e atender os materiais estocados de acordo com as necessidades calculadas;

- Controlar os estoques em termos de quantidade e valor e fornecer informações sobre
a posição do estoque;

- Manter inventários periódicos para avaliação das quantidades e estados dos materiais
estocados, evitando perdas e desperdícios;

- Identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e danificados.

 

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Topics: Perdas no Varejo